sábado, 10 de setembro de 2011

Há coisas que guardo...

e perdem-se algures dentro de mim!
Sentei-me aqui para fazer outra coisa, mas se calhar vou adiar e escrever o que me tem
Dei por mim a pensar em incertezas e em certezas. Não há assim tantas certezas que eu tenha (só algumas). Descobri que gosto de incertezas, pelo menos de algumas, daquelas que enquanto o são me fazem sentir a flutuar, me deixam nervosa e até ansiosa, me fazem respirar mais depressa, me deixam...
Também gosto de certezas e sei que sou uma pessoa de algumas. Certezas que tenho em mim, que nunca irão fugir para lado nenhum ou qualquer lado...
Há incertezas boas que se vão transformando em certezas ou noutra coisa qualquer
Há incertezas que se vão transformando em certezas...só.
Confesso que gosto de algumas incertezas...
E
"Há incerteza deliciosa"

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Quase ontem...

à noite.
Já me esparrapatei no sofá, já me deitei no chão da sala enroladinha no edredon e já me sentei na beira da varanda a ouvir a ronca porque está nevoeiro... cheira bem!
O sono teima em não chegar.
Antes disso ouvi música fixe, daquela que gosto... e vou-me lembrando de coisas.
Hoje ao almoço um amigo dizia que lhe fez impressão comer a primeira refeição, no local onde estava de férias, com as mãos.
Eu adorava comer pirão com as mãos e ainda gosto, adoro... e isto levou-me para uma terra chamada Bailundo.
Terra de brincadeiras felizes e despreocupadas, de correrias por todo o lado e lado nenhum, de pés quase permanentemente descalços.
De arranhões nas pernas, de joelhos esfolados, de árvores trepadas, de fugidas para as cubatas para brincar e comer pirão, de descidas vertiginosas a aprender a andar de bicicleta, na bicicleta enorme demais para mim...
De sorrisos abertos, olhares cúmplices, gargalhadas barulhentas.
(isto vai para outro sítio)
... e vou comer mesmo com as mãos, nem que sejam bolinhas de arroz com nada ou com tudo
E vou lambuzar os dedos toda contente e feliz
sentada na sombra de uma árvore e no fofinho de um qualquer chão.
Assim como eu gosto...

sábado, 3 de setembro de 2011

A minha terra...

tem ruas e ruelas, escadas e cantinhos, esquinas para nos esgueirarmos, buracos para espreitarmos
Tem ruas muito estreitas, umas que sobem até ao céu e outras que descem até onde quisermos
Tem miradouros a perder de vista e onde a vista se perde
Tem luz e cor e sol
Tem escuro e cinzento e penumbra
Tem sempre uma pedra onde me posso sentar, um muro onde me posso encostar, alguém que passa e sorri, um olhar encontrado e outro desviado
Tem eléctricos que serpenteiam por ruas demasiado a descer e outras demasiado a subir... e que bom!
Tem um rio que cheira a mar e outro mar que cheira a rio
Tem estendais nas janelas, gatos a espreitar, escadas que parecem escadas, paredes que já o foram, tectos sem abrigar
Tem avenidas grandes e cheias de cor e luzes e barulho
Tem becos silenciosos e sem cor
Tem muros e fachadas pintados com alma de gente
Tem praças grandes e pequenas, alegres e sombrias
Tem olás simpáticos... e olás carrancudos
Tem castelos, bairros e mais bairros e ...mais bairros!
Tem árvores com folhas mágicas, onde podemos escrever
Tem relva, terra, muro, pedra, areia... onde podemos estar sem pensar, sem falar, a sonhar, a ouvir, a dizer...
Tem teias onde podemos subir, mais árvores para fazermos o pino mais cantos para esconder
Tem a minha janela preferida de todo o mundo!
a minha terra... também!