quarta-feira, 23 de junho de 2010

...só

para que saibam!
Este meu blog está num fuso horário maluco... e são agora 23:18 em Portugal continental.
Certo?

:)

Hoje...

... perdi-me
Entre algures e ... nenhures
Escrevi ao mundo com letras de nuvens...
Que se desfizeram tão depressa
Que ninguém as percebeu.
Ainda bem!

Hoje afundei-me
Entre palavras e frases e letras
Entre espaços e nada
Entre nada e alguma coisa...



"Um conjunto de moléculas
Postas de acordo
De forma provisional.
Um animal prodigioso
com a delirante obsessão de querer perdurar.
Não deixaremos rastro,
Apenas pó de estrelas"
Jorge Drexler



"- Todo o vosso corpo, desde a ponta de uma asa, até à ponta de outra asa- costumava dizer Fernão-, não é mais do que o vosso próprio pensamento, numa forma que podem ver.
Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo...
Mas por muito que falasse, soava como como uma agradável ficção e eles precisavam de dormir."

"- Para ele, o rochedo foi como uma porta dura e gigantesca para um outro mundo.
Primeiro sentiu uma onda de medo e choque, quando a escuridão o envolveu. Depois sentiu-se flutuar num céu estranho, esquecendo, recordando, esquecendo; com medo, dor e tristeza, uma imensa tristeza".

"- És um pássaro louco- disse gentilmente.
Se existe alguém capaz de mostrar a um pássaro no chão como ver a mil e quinhentos metros de distância, esse alguém é Fernão Capelo Gaivota".

... « No paraíso», pensou «não haverá limites.»
As nuvens romperam-se, as companheiras gritaram-lhe:
- Feliz aterragem, Fernão!-
E desapareceram no ar.


Hoje afundei-me
Em letras, palavras e frases
Reli o que já tinha lido
Li o que tinha lido há muito tempo
Não li tudo o que queria ler...
Encontrei-me, perdi-me, encontrei-me...
Perdi-me
Entre algures e... nenhures
E...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Na terra...

... do nunca!

Foi lá que hoje estive durante um tempo, menos eterno do que queria.
Hoje fui assistir a uma aula aberta do Ballet da pequenina... e a Susana e o Rui.
E foi vê-la sonhar... sou um soldadinho, sou um saltitão, sou uma bailarina, sou um... robot!
Sou eu, mãe, pai, Susana... sou eu... sou eu! E como és, minha princesa!
Os meus olhos enevoaram-se, ficaram cobertos de lágrimas que contive... porque sim, porque só assim podia ser, porque não há no mundo inteiro uma bailarina como a minha, que me apaixona a cada momento, com cada gesto, com cada olhar e sorriso, mesmo que muito escondido, mesmo que muito mostrado...
Nesta terra do nunca alguém espalhou uns pozinhos...
O meu orgulho não coube em nada, em espaço algum, em tempo algum, em imensidão alguma... coube-me na alma, no coração... porque sem tamanho!
A esta terra do nunca volto muitas vezes... menos do que as queria... mais do que as que são permitidas aos grandes!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Confesso...

...que às vezes não sou muito boa a afastar pensamentos negativos. Sei que já era tempo de o fazer melhor, mas...

Coisas que me deixam feliz
Ouvir e ver o riso das minhas filhas
Abraçar, apertar, dar beijinhos na pequenina e na pequenita, separadamente e ao mesmo tempo
Ver a pequenina a comer "um mousse de chocolate"
Correr, dar pinotes, saltar, escorregar, dar voltas, jogar à bola com elas
Andar descalça na areia da praia, no chão de casa, na relva...
Percorrer ruas e ruelas, caminhos e travessas... olhar para baixo, para cima, para os lados
Descobrir coisas novas em sítios percorridos mil vezes antes, espantar-me e sorrir
Andar no 28, às vezes cheio de gente, outras quase sem ninguém
O cheiro que se sente sempre que chego à minha terra
As ruas de Lisboa ao entardecer, sopradas por uma brisa morna
Ir ao CCB, com tempo e demora... ver, sentir e cheirar
Ir ao Chiado, sentar-me numa esplanada, não fazer nada... fazer tudo
Entrar em lojinhas pequeninas e escolher um fio para o pescoço
Sorrir porque sim... porque não
Sentir um sorriso retribuído
Ir ao cinema e dar-lhe a mão
Ir ao cinema e dar-me a mão
Esparrapatar-me no sofá e ver uma série de que gosto... de que gostamos
Ver um jogo de Basquetebol fixe
Ver um jogo de Futebol fixe
Falar sobre tudo ou sobre nada... com alguém... contigo
Sonhar acordada... sonhar a dormir
Bocejar, ter sono e adormecer
Nadar, nadar, nadar... boiar, mergulhar, sentir o silêncio do fundo!
Correr à chuva
Comer num sítio calmo, sem pressa, com música fixe... sem calor, sem frio
Sentar-me ou deitar-me (na cama de baloiço) do "Artes em partes"... beber um chá (difícil escolher entre os milhares), comer um scone...
Sentar-me num canto, cantinho, degrau, banquinho... num qualquer lado e em lado nenhum
Espreitar a praia da Azarujinha cá de cima... descer as escadas imensas e dar um mergulho no Corvo, quando a maré está cheia
Fazer bolinhas de sabão (que só resultam quando o líquido é o original)!
Jogar Basquetebol... jogar Futebol... jogar com os amigos
Dizer bacoradas, ouvir bacoradas, rir por nada... por tudo
Andar de baloiço, à noite
Olhar o céu e ver-te numa estrela a piscar-me o olho
O abraço sempre quente e protector da minha avó
A casa dela, o banco à janela da cozinha onde gosto de me sentar, o arroz, os peixinhos da horta, a mousse de chocolate... hum!
O barulho do silêncio...
O silêncio oco, sem nada
O silêncio do ruído, no meio do ruído, pleno de
Viagens da minha alma (na minha alma)...
Música estupidamente alta enquanto conduzo, sozinha no carro
Música baixinha enquanto conduzo... sozinha no carro
Ir ao teu lado enquanto conduzes e cruzar as pernas à chinês em cima do banco, pôr os pés em cima do banco ou do tablier...
Abrir os vidros do carro e sentir uma brisa, enquanto passamos numa estradinha em recta ou curva, rodeada de árvores e cheiros bons...
Sentir-me só no meio da multidão... sentir-me acompanhada quando só... sentir-me não só no meio da gente
Viajar, viajar... para um destino mas sem destino
Olhar, sentir, viver outras gentes... outros mundos
Ter saudades dos amigos... estar com os amigos
Tomar duche de água fria, não secar o cabelo, não pentear o cabelo...
Tomar banho de água quente, na casa de banho dos pais, na banheira com aquelas bolinhas, e ficar lá muito tempo com a minha mãe (toda a noite)... disse a minha filhota pequenina!
Descobrir música nova fixe... recordar música ouvida
"Red Trio"... descobrindo irresistíveis turbulências sonoras
Sentir o que alguém me diz... sentir o que me dizes... sentires-me... sentirem-me!
Um amigo dizer-me que é fixe "esplanar" comigo, falar de qualquer coisa ou de nada, coisas simples, sem stress!
"Mamã, já tá?"... brincar aos legos, aos heróis, às quintas com a pequenina, que me está a chamar, por isso...
Tempo sem tempo, coisas simples que me fazem feliz...

Depois volto...



sábado, 5 de junho de 2010

Oh não...

Depois de tudo escrito não sei o que aconteceu... desapareceu.

Depois volto cá...agora estou muito cansada. Vou apanhar ar para ver se me dá o sono.

A ti...

Não te recordo.
Estás no meu coração, na alma, no pensamento...
Estás em mim e em mim vives enquanto eu viver

Tenho-te especialmente o sorriso
Que se via (vê) e sentia(sente)ao longe
Em todos os dias que vivo
Há um canto em mim para ti

Vejo-te nos jogos de Basquetebol

Nas cartadas na sede do Desportivo
Na biblioteca do liceu onde íamos às vezes (lembras-te da funcionária nazi que passava o tempo a fulminar-nos com o olhar e com um shiu?)
Nos intervalos das aulas
Sentados no chão de fora, encostados à parede
Das conversas, às vezes discussões tornadas (mas fixes)
De como fiquei zangada por teres provocado a minha 1ª lesão a sério, quando saltaste por cima das minhas pernas, apoiadas entre duas bancadas do laboratório de F.Q
Tinha de ser logo "entorse com luxação", muletas durante um mês.
Hi, hi... tranportavas os livros e a mochila, o tabuleiro da cantina... eram só mimos!
Quando passo à tua porta
Oiço música na tua sala
É fixe... Dire Straits, U2, Sérgio Godinho, Trovante...
Rio-me muitas vezes e sempre
Quando te olho vestido com uma camisa de noite minha
Um ursinho também meu na mão
Sim, naquela jantarada em minha casa
Foi muito fixe... as pizzas ficaram tão boas!
e também
As jantaradas e noitadas em casa do Rui... conversas surrealistas, francas, boas...
de amigos para sempre...

Gosto muito do "PRINCIPEZINHO".
Às vezes pareces-me ele...

"Não conseguiu dizer mais nada. Desatou bruscamente a soluçar. A noite caíra. Eu tinha largado as ferramentas. Estava-me nas tintas para o meu martelo, a minha cavilha, a sede e a morte.
Havia, numa estrela, um planeta, o meu, a Terra, um pricipezinho a consolar! Tomei-o nos braços. Embalei-o.Dizia-lhe : «A flor que amas não está em perigo... vou desenhar uma protecção para a tua flor...vou...» Não sabia muito bem o que dizer. Sentia-me muito desajeitado. Não sabia como me aproximar dele, onde juntar-me a ele... O país das lágrimas é tão misterioso!"

"Aquilo que vejo não passa de uma casca. O mais importante é invisível..."


Gosto muito do Mia Couto...

-"Porque demoraste tanto?"
- "Não fui eu, tia. Foi o tempo."
- "É que, assim, acredito que nunca morreu ninguém".

Tu não, meu querido amigo... nunca
Tu não, Zémi... ou Zé Mi (será que alguma vez escrevi o teu nome, ou só o disse?)...
Não, é Zé Mi, eu sei...
Sempre aqui

A ti...

Porque meu...

Refúgio de vida
Refúgio de morte
Refúgio de ti... de mim
Refúgio de ti em mim

Para estar... não estar
Para ser... não ser
Para esconder.. aparecer

Refúgio porque sim
e porque não

Refúgio... porque meu
De braços, colo, carinho, mimo
Refúgio para... onde fugir
Esconder... aparecer.
Refúgio porque
para viver!

Refúgio morno
de lágrimas, de risos, de sorrisos
de olhares, de tocar, de sentir, de estar, de ser...

(4-6-2010)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ainda e sempre... das crianças!

"Eu acho que os adultos, às vezes, vivem muito separados uns dos outros".
(Inês, 10 anos)

"Não gosto quando se armam em grandes. Eu acho que eles não são grande coisa".
(Marta, 9 anos)

"Acho que os adultos ouvem pouco as crianças".
(Bernardo, 7 anos)

"Não gosto que o meu pai esteja sempre no meu quarto. Ele desarruma-me tudo. Vai brincar e naõ arruma nada".
(Ricardo, 6 anos)

"Eu acho que é preciso sermos muito compreensivos com os adultos".
(Beatriz, 12 anos)

"Eu acho que às vezes, os adultos são um pouco como os ets".
(Cris, 42 anos)

"Eu acho que os adultos devem brincar muitas vezes com os meninos".
(Princesa Ervilha, 4 anos)

"Eu acho que os adultos deviam ser mais tempo crianças. Ah, e deviam ter um parque com árvores, baloiços, balancés, escorregas, relva e pedrinhas em todos os locais de trabalho".
(Cris, 42 anos)

"Eu acho que os adultos gostam muito de dar beijinhos. Eu gosto especialmente dos da minha mãe".
(Princesa Ervilha, 4 anos)

"Eu acho que os adultos devem tratar das feridas dos meninos quando estes se aleijam. E não se esquecerem de tratar das deles".
(Princesa Ervilha, 4 anos)

"Eu acho que os adultos devem cuidar dos seus animais e de irem sempre ver as galinhas e tirarem o ovo".
(Princesa Ervilha, 4 anos)

... e tirarem o ovo?
Hi, hi, hi... é tão bom ser criança!

Sítio...

Há um sítio onde o escuro não chegou
Um cantinho onde gosto de estar
Há um sítio para onde podes fugir
Não é longe nem perto de ti
É algures... nenhures...

Onde te sonho acordada
Onde acordo a sonhar-te

Não existe tempo
Não existem horas, minutos, segundos

Não está frio nem calor
Apenas uma brisa morna

Traz-nos cheiros de que nos lembramos
Outros de que nos esquecemos

Traz-me um toque sentido...
Outro arrependido
Traz-me a mim o de ti...
Esconde-te em mim

"Porque a alma não é pequena..."

terça-feira, 1 de junho de 2010

Gosto de...

... ser criança!

Andar de baloiço
Brincar às escondidas
Deslizar no tubo e no escorrega
Sentar-me nos cantinhos das ruas
Experimentar mil bancos espalhados
Jogar à macaca nos desenhos das calçadas...
Meter o dedo na massa do bolo de chocolate
Entornar o leite por ser desastrada!
Molhar bolacha Maria no leite morno
Fazer luas, raspando os dentes na bolacha Maria...
Fazer equilíbrio nos muros e troncos
Amuar porque sim... porque não.
Olhar para as nuvens e adivinhar-lhes as formas
Ver uma estrela e pedir um desejo
Andar descalça na areia da praia
Molhar os pés e as pernas na água do mar
Fazer desenhos na areia da praia
Fugir das ondas para não me apanharem...
Deitar-me de papo para o ar... no chão, na areia, na relva, onde for...
Chapinhar na água do mar... voltar a chapinhar e saltar como um pato
Saltinhos ridículos mas que me fazem feliz!
Espreitar por entre os dedos das mãos
Ter medo... e voltar a ter medo
Sentir-me segura porque alguém o faz
Sentir-me protegida porque alguém o faz
Cheirar o cheiro da casa da avó
Cheirar o cheiro da comida da avó
Ficar à janela da cozinha da avó... de dia, mais de noite e...
... sentir-me em paz, com saudade
Cair à água e afundar-me de riso
Comer uma bola de Berlim grande e com creme... lamber os dedos
Fazer o pino, dar cambalhotas, saltar à corda
Dar a mão a alguém com uma mão maior do que a minha
Rebolar na areia da praia até chegar à água
Fazer castelos e caminhos... cobertos de algas e conchinhas
Andar de carrossel
Fazer bolas com pastilhas elásticas
Andar de tranças...
Sonhar com castelos, fadas, duendes, algodão doce cor de rosa e de muitas cores
Sonhar que brinco, que salto, que rio
Brincar, saltar, rir, "gargalhar"
Chorar por ter tido um sonho mau
Corar por alguém dizer que era gira...
Sonhar com um príncipe... que era só meu
Adormecer no sofá enrolada na mantinha
Ver desenhos animados de que gosto
Rir até não aguentar mais por me estarem a fazer cócegas
Vestir a minha roupa preferida... calções, t.shirt, nada nos pés... tranças
... e tanto, tanto mais!

O meu pai dava-me sempre uma prenda no dia da criança...
Continua a dar-me... é um nosso segredo!

Quero ser sempre criança...
Vou ser sempre criança!



Hoje, neste dia da criança
Vou ver as minhas filhas a brincarem
Vou brincar com elas
Vou vê-las a crescer para serem sempre pequeninas
Vou ser criança como elas...
Que bom!

Hoje, neste dia da criança
Vou dar um xi de parabéns muito apertado
A um dos meus irmãos, também
Muito fixe...
Gosto muiiito de ti (olá Fernando)! :)

Hoje, neste dia da criança
Vou "amadrinhar" uma criança de Moçambique, outra de Angola
Alguma de algures
Dar-lhes mimo com sorrisos e beijos e xis
Que chegam por cartas e desenhos...
Quem sabe um dia, lá...


Quero que sejam muitas vezes
CRIANÇAS!
Sejam muitas vezes CRIANÇAS...