... o meu porto de chegada, o meu porto de partida!
As minhas filhas
são a minha maior aventura
Nelas me aninho, me aconchego
A elas susurro o meu amor
Por elas encontro energia e vontade
quando penso e sinto já não haver...
Nelas 8e por elas) sorrio, me rio
me deito onde for, faço o pino ou cambalhotas
ou saltos de Homem Aranha...
Nelas me vejo , me revejo
Por elas eu cresço, sou melhor, sou mais forte
Por elas sou mais meiga, mais paciente, mais...
Por elas e com elas vou ao fim do mundo
Onde quer que este seja, onde quer que esteja
A elas aconchego-as na caminha
Faço festas e festinhas
Dou beijos, sinto-lhes o cheiro
Abraço e aperto, encosto-me, amasso-as...
A elas vejo-as crescer
Cada dia, cada minuto, cada instante...
Não penso nelas grandes
Não as imagino mais velhas
Penso nelas agora... não lhes imagino um futuro traçado
Apenas lhes quero um agora feliz!
Cada instante sonhado
Cada passo conquistado
Com o agora vem o futuro
nelas desejado, por elas traçado.
Um depois onde vão ser o que quiserem ser
Uma "condição" apenas
Serem elas mesmas, iguais ao que sempre foram e serão
na alma, no coração, no olhar, no estar
Com uma certeza apenas
a de que estarei sempre aqui e lá
onde quer que seja
Com elas e por elas
Com outra certeza apenas
a de que ele estará sempre aqui e lá
onde quer que seja
com elas e por elas...
quinta-feira, 27 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
"Sai mesmo ao pai..."
"É mesmo parecida com o pai..."
Ouvia-o constantemente em miúda! Sentia um orgulho tão grande, tão "enorme"!
"Pareces mesmo uma índia"!
Talves pelas tranças escuras, pelo moreno, pelas feições.
Sentavas-me no teu colo e ensinavas-me músicas giras, às vezes um pouco estranhas, algumas da tua meninice. Eu aprendia e depois cantarolávamos os dois (nas viagens de carro, nos passeios pela sombrinha, a tua mão enorme a agarrar a minha, enquanto me empurravas no baloiço).
Também me contavas histórias, algumas de História mesmo, outras da tua infância (as tuas preferidas), umas inventadas outras sonhadas...
Sentia-me importante quando me levavas à caça... "shiu, não podes fazer nenhum barulho, está bem?". Mas sabes, detestava a parte em que apanhavas as lebres... tapava sempre os ouvidos e fechava sempre os olhos!
Pareces filha de uma preta, dizias tu e a mãe. Isso sempre me intrigou...às vezes conseguia ficar mais ou menos chateada. Era a cor da pele, o andar sempre descalça, os pés picados por aquelas formigas gigantes, ir para as cubatas comer pirão à mão (hum, que bom que era...)
E aquela "ondulação" de montanha russa, na estrada para Benguela, mesmo à chegada, que percorrias depressa para nos fazer rir e gritar, pelas cócegas que provocava nas barrigas (se calhar só nas nossas) e que voltavas a percorrer, para a frente e para trás,até já ser demais voltar a percorrê-la, porque tínhamos de chegar ao nosso destino.
Lembras-te quando me pegaste e atiraste (sim, literalmente) para o meio da piscina das águas quentes? O único pensamento que me ocorre é este: "Bem, a miúda é maria-rapaz, índia, filha de preta, desenrascada... vai concerteza aprender a nadar".
Hi, hi (sei que se escreve ao contrário, mas eu gosto assim, só para que fique bem claro...nunca o tinha dito, se calhar vocês não sabiam!
O certo é que resultou... virei peixinho dentro de um aquário, do tamanho dos mares e rios e lagos e ...do mundo!
"Paiii, quantos kilómetros faltam?". "Ainda falta muito?". Tínhamos acabado de sair... a pergunta repetia-se por si mesma, de muito pouco em muito pouco tempo...
Tenho tantas saudades das viagens!
"Eu quero aquele gelado que vem no meio de duas bolachas grandes... não é das redondas!". Nunca mais comi gelados tão bons... um dia destes ainda vou descobri-lo novamente e comê-lo com a minha boca de criança...
"Logo parece que vamos ter feijoada"... oh pai, esta eu nunca percebi! Dizias-me quando eu amuava, e amuava ainda mais. Às vezes ficava uma eternidade sem te falar (não sei se horas ou dias, ou apenas minutos)... no final conseguias sempre estragar-me o esquema do amúo e fazer-me rir, mesmo não querendo... ou se calhar querendo mesmo muito.
"Já podes andar na bicicleta do teu irmão... a grande (a mim parecia-me gigante), sem rodas atrás". "Vá, eu empurro e tu começas a pedalar... e olha sempre para a frente"... e não é que resultou!
Também aprendi a fazer descidas vertiginosas naquela bicicleta, mas disso escrevo mais à frente, no capítulo do irmão mais velho.
Pai, vou parar um bocadinho... logo à noite (como em todas) estou contigo, quando olhar para o céu escuro e me piscares o olho daquela tua estrela, a que brilha mais que todas as outras...
Amo-te muito... e saudades! Nunca consigo pensar-te e sentir-te sem que lágrimas não me deslizem pela cara.
Até já...
Este vai ser um cantinho algo confuso, às vezes estranho... saltanto de alma em alma, de coração em coração, voltando atrás às vezes, voltando ao mesmo muitas vezes...
"É mesmo parecida com o pai..."
Ouvia-o constantemente em miúda! Sentia um orgulho tão grande, tão "enorme"!
"Pareces mesmo uma índia"!
Talves pelas tranças escuras, pelo moreno, pelas feições.
Sentavas-me no teu colo e ensinavas-me músicas giras, às vezes um pouco estranhas, algumas da tua meninice. Eu aprendia e depois cantarolávamos os dois (nas viagens de carro, nos passeios pela sombrinha, a tua mão enorme a agarrar a minha, enquanto me empurravas no baloiço).
Também me contavas histórias, algumas de História mesmo, outras da tua infância (as tuas preferidas), umas inventadas outras sonhadas...
Sentia-me importante quando me levavas à caça... "shiu, não podes fazer nenhum barulho, está bem?". Mas sabes, detestava a parte em que apanhavas as lebres... tapava sempre os ouvidos e fechava sempre os olhos!
Pareces filha de uma preta, dizias tu e a mãe. Isso sempre me intrigou...às vezes conseguia ficar mais ou menos chateada. Era a cor da pele, o andar sempre descalça, os pés picados por aquelas formigas gigantes, ir para as cubatas comer pirão à mão (hum, que bom que era...)
E aquela "ondulação" de montanha russa, na estrada para Benguela, mesmo à chegada, que percorrias depressa para nos fazer rir e gritar, pelas cócegas que provocava nas barrigas (se calhar só nas nossas) e que voltavas a percorrer, para a frente e para trás,até já ser demais voltar a percorrê-la, porque tínhamos de chegar ao nosso destino.
Lembras-te quando me pegaste e atiraste (sim, literalmente) para o meio da piscina das águas quentes? O único pensamento que me ocorre é este: "Bem, a miúda é maria-rapaz, índia, filha de preta, desenrascada... vai concerteza aprender a nadar".
Hi, hi (sei que se escreve ao contrário, mas eu gosto assim, só para que fique bem claro...nunca o tinha dito, se calhar vocês não sabiam!
O certo é que resultou... virei peixinho dentro de um aquário, do tamanho dos mares e rios e lagos e ...do mundo!
"Paiii, quantos kilómetros faltam?". "Ainda falta muito?". Tínhamos acabado de sair... a pergunta repetia-se por si mesma, de muito pouco em muito pouco tempo...
Tenho tantas saudades das viagens!
"Eu quero aquele gelado que vem no meio de duas bolachas grandes... não é das redondas!". Nunca mais comi gelados tão bons... um dia destes ainda vou descobri-lo novamente e comê-lo com a minha boca de criança...
"Logo parece que vamos ter feijoada"... oh pai, esta eu nunca percebi! Dizias-me quando eu amuava, e amuava ainda mais. Às vezes ficava uma eternidade sem te falar (não sei se horas ou dias, ou apenas minutos)... no final conseguias sempre estragar-me o esquema do amúo e fazer-me rir, mesmo não querendo... ou se calhar querendo mesmo muito.
"Já podes andar na bicicleta do teu irmão... a grande (a mim parecia-me gigante), sem rodas atrás". "Vá, eu empurro e tu começas a pedalar... e olha sempre para a frente"... e não é que resultou!
Também aprendi a fazer descidas vertiginosas naquela bicicleta, mas disso escrevo mais à frente, no capítulo do irmão mais velho.
Pai, vou parar um bocadinho... logo à noite (como em todas) estou contigo, quando olhar para o céu escuro e me piscares o olho daquela tua estrela, a que brilha mais que todas as outras...
Amo-te muito... e saudades! Nunca consigo pensar-te e sentir-te sem que lágrimas não me deslizem pela cara.
Até já...
Este vai ser um cantinho algo confuso, às vezes estranho... saltanto de alma em alma, de coração em coração, voltando atrás às vezes, voltando ao mesmo muitas vezes...
Só às vezes...
Este é o meu mundo
O mundo em que me resguardo e me aninho
O mundo do meu outro alguém, esse meu avesso
O mundo das minhas filhas, um pouco de mim, um pouco delas, um pouco como elas, um pouco como ele...
O mundo do meu pai, ausente, sempre em mim, comigo e por mim
Do meu querido avô, em conversa curriqueira, ao sabor de um bacalhau regado com um copinho, sentado com o meu pai, em duas estrelas de cadeira e uma nuvem de mesa...
Da minha mãe, sempre pronta a acudir, esquecendo-se tantas vezes dela mesma... o meu regaço
De todos os meus irmãos, cada um tão diferente, cada um tão especial, todos iguais
Da minha avó, mãe duas vezes, que tenho e me tem no coração, sempre, sempre...
Dos irmãos e irmãs do meu avesso, um cantinho carinhoso e de afectos no meu coração
Dos meus outros "pais" que sei me quererem como "filha", que sei lhes querer com amor
Dos meus amigos, com quem estou e sou todos os dias, mesmo sem estar...mesmo sem ver.
O mundo em que me resguardo e me aninho
O mundo do meu outro alguém, esse meu avesso
O mundo das minhas filhas, um pouco de mim, um pouco delas, um pouco como elas, um pouco como ele...
O mundo do meu pai, ausente, sempre em mim, comigo e por mim
Do meu querido avô, em conversa curriqueira, ao sabor de um bacalhau regado com um copinho, sentado com o meu pai, em duas estrelas de cadeira e uma nuvem de mesa...
Da minha mãe, sempre pronta a acudir, esquecendo-se tantas vezes dela mesma... o meu regaço
De todos os meus irmãos, cada um tão diferente, cada um tão especial, todos iguais
Da minha avó, mãe duas vezes, que tenho e me tem no coração, sempre, sempre...
Dos irmãos e irmãs do meu avesso, um cantinho carinhoso e de afectos no meu coração
Dos meus outros "pais" que sei me quererem como "filha", que sei lhes querer com amor
Dos meus amigos, com quem estou e sou todos os dias, mesmo sem estar...mesmo sem ver.
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